DE TUDO VAI ROLAR

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Precisamos falar sobre RitaLulu

Antes de falarmos sobre o momento inesquecível que foi o Bloco RitaLulu, é preciso pedir licença para revelar um pouco de bastidores, sem entrar em grandes detalhes e com o maior respeito ao bloco – nada além do que foi dito ao microfone, por um dos seus integrantes. O bloco passou por inúmeros desafios e dificuldades, do financeiro à gestão de pessoas, que acabaram impactando diretamente em seu formato. A opção por um desfile “concentra mas não sai” foi um dos reflexos deste enfrentamento. Mas o principal que deve ser dito é: muita gente não acreditou; e muitos sugeriram que, face a todos os problemas, o bloco não deveria sair.

É necessário dizer isto simplesmente porque a maioria dos que lá estiveram, vivenciando aquele deslumbramento de alegria, vibração, acolhimento à diversidade e inclusão, sequer imaginariam que aquilo é o resultado do que um dia alguém apostou que fracassaria. RitaLulu deu um banho de ensinamento do que um Carnaval deve ser: em primeiro lugar, a alegria, a irreverência, o abraço. Mais que isso… suavidade. Um bloco tão suave na nave que até os erros eram motivo de sorriso. Um bloco tão suave que acolheu outros que lá estiveram. Um bloco que se permitiu fotografar com o estandarte de outro, nascido por aquelas bandas, e que lá esteve, indo voltando, no meio da galera tão amiga. Um bloco que abriu a praça, mas que principalmente abriu seu coração ao perdão – para quem sabe de outros bastidores, foi emocionante ver gente que andava distante agora se abraçando e demonstrando abertura e gratidão.

Precisamos falar do Rita Lulu que tinha cordas, mas não tinha cordeiros truculentos; que incentivou as pessoas ao uso coletivo e responsável do espaço. Particularmente, acredito que a suavidade era tanta, que a corda deveria ter ido ao chão, como foi, bem antes da segunda metade do bloco. Ou nem precisava aparece por lá. Mas precisamos reconhecer que este exercício inverso à norma é algo que nos impõe coragem e, para quem a extrema coragem possibilitou fazer tudo aquilo, aqui não se trata de uma crítica, apenas de uma pontuação àquele elemento que foi tão simbolicamente respeitado, mas sem rigor ou grandes imposições.

Foi sublime a mistura inicial, em uma bateria menos “orgânica”, mais permissiva, com quem chegou poder tocar com um regente familiar a alguns, mas nem tanto a outros. Materialização de um dos melhores e mais cativantes elementos do Carnaval: a improvisação. Reconhecendo toda a necessidade de um mínimo de organização, mas quanto mais se organiza, mais se perde em expressão genuína. E foi simplesmente arrebatador aquele gran finale, onde era impossível saber quem era o bloco – ensaiado, fantasiado, unido pelos laços institucionais – e o bloco – a massa que ocupa, que se pertence junta a um mesmo fenômeno social, espiritual, sensual e tátil. Um necessário salve ao trabalho de produção, ao cuidado com os foliões, à estrutura, aos vocalistas – vozes impecáveis e uma presença de palco que dá vontade de ser amigo, parceiro.

Foi lindo, RitaLulu. Uma onda no mar de tanta coisa que anda ficando tão igual. Se ela ainda não começou, vocês arrombaram a festa, com os pés, braços, baquetas e vozes desse desfile!

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Informação

Publicado em 11 11America/Sao_Paulo fevereiro 11America/Sao_Paulo 2019 por em Carnaval de BH, Rita Lulu.
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