DE TUDO VAI ROLAR

Viver e Curtir a cidade, gastando pouco ou quase nada! (By Ney Mourão) Siga o instagram: blogdetudovairolar – Aos Sábados, às 10h, 14h, 16h e 18h, dicas nacionais, pela RÁDIO 107 Ativa na Web (Baixe o aplicativo na Play Store ou ouça em https://www.radios.com.br/aovivo/107-ativa/65889)

Tum-Pá! Quando a gente se orgulha de ser brasileiro!

São oitenta pessoas no palco. Alunas e alunos do Curso de Percussão Circular.  Fundada em 2013 pelo conhecido músico Di Souza (leia-se, dentre outros, um dos responsáveis pelo sucesso do bloco carnavalesco Então, Brilha, um dos mais queridos do Carnaval de BH), a Escola de Percussão Popular é definida, em sua página no Facebook, tendo como proposta “oferecer uma experiência lúdica, prazerosa e enriquecedora por meio da prática percussiva em conjunto. Um convite ao aprendizado musical livre e inclusivo!”

O espetáculo Tum Pá – 2, no entanto, é muito mais do que apenas uma apresentação de alunos, formandos em uma turma que chega ao fim. É uma roda de energia que deixa a gira girar. É carnaval, é samba, é umbanda, é forró, é raiz, é brasilidade. É um hino de amor à rua, ao terreiro, ao morro, à tradição. O espetáculo nos toma e nosso corpo dá passagem a algo indescritível. Lá, no palco, é impossível, dentre tanta gente, dentre tantos amantes de tantos rolés comuns a quem ama esta cidade e este Brasil, não ver um amigo, um conhecido. E é impossível não ter orgulho deles – e, até, é preciso confessar, uma certa inveja, por estar “do lado de cá”, meros assistentes, naquela roda, naquela ciranda que parece que já nasceu pronta pra ser tão linda, tão arrebatadora.

Tum-Pá mistura, com elegância e sem nenhum exagero, a dose certa de ritmos que compõem nosso caldeirão brasileiro. Não pretende ser didático, mas poderia, com tranquilidade, ser apresentado como aquela aula que todos precisam ver pra entender o que chamamos de cultura brasileira, música brasileira, alma brasileira. Lá está a roda de samba, a malandragem; lá está o sagrado, o ritual; lá está o sorriso do morro que desce pro asfalto; lá está o gingado e o suor do forró que contagia. Lá está o Canto de Xangô, Nanã, Yansã. Lá estão Os Tincoãs. Lá está o resgate de Xique Xique, do Tom Zé, obra-prima composta para o memorável Parabelo, espetáculo de 97, do Grupo Corpo.

Belo Horizonte, muitas vezes, desconhece sua pluralidade. Pelo atrelamento cultural histórico ao eixo Rio-São Paulo, esquece de confirmar muito do que tem de genuíno, sua mistura de emoções e, não raro, esse desconhecimento acaba nos fazendo perder a força desta soma de diferenças. Tum-Pá, mais que um espetáculo de amadores, é um hino de amor ao espetáculo da mescla. Tum-Pa, nesse sentido, é resgate; e é bom de ver que há gente preocupada – ainda! – em não deixar perder o tanto que somos diversos, diferentes, plurais. Brasis!

Que essa energia boa circule. Percussione nos corações e na alma. Pra sacudir essa cultura! Pra sacudir essa cidade, que muitas vezes teima em se perder no que tem de mais belo. A rua, o morro, a favela, a roda, a gira, o terreiro agradecem. Telecoteco, samba-duro, Axé, saravá, oiá… Tum-Pá pra vocês!

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Publicado às 23 23America/Sao_Paulo dezembro 23America/Sao_Paulo 2018 por em Música, Opinião, Teatro e marcado .
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