DE TUDO VAI ROLAR

Viver e Curtir a cidade, gastando pouco ou quase nada! (By Ney Mourão) Siga o instagram: blogdetudovairolar – Aos Sábados, às 10h, 14h, 16h e 18h, dicas nacionais, pela RÁDIO 107 Ativa na Web (Baixe o aplicativo na Play Store ou ouça em https://www.radios.com.br/aovivo/107-ativa/65889)

Mas o que é este tal de Vira o Santo, no Carnaval de BH?

Texto: Ney Mourão, idealizador do Bloco Tamborins Tantãs, mais um estandarte na foto oficial do Vira o Santo, em 2018)

vira o santo
No Vira o Santo o mais interessante é não haver um “horário oficial”. É rio, que vai avolumando, avolumando. Aí, tem aqueles gatos pingados que chegam primeiro, só com o estandarte. Aí, aparece algum perdido com uma caixa na cintura… Aí, surge mais um com um surdo. Todo mundo com ar de ressaca, perdido, arquinho na cabeça despencado, resto de fantasia querendo vingar. Aí, surge a dispersão do Toca Raul, gloriosa e linda, e chega o Filhotes, atravessando o túnel. E chega o Stardust… E, então, as fontes jorram, e vem o banho, “cuidaaaaaado! não molha o estandarte!!!”, e a esta altura já chegou o Nandão do catuçaí, já chegou Dona Nega linda, com seu maiô irresistível, o cravinho, o xeque-mate, o melzinho. Aí, já tem um beijo na boca ali, já tem ambulante pra todo lado. E, de repente, a gente tem por alguns minutos aquela sensação esquizóide, mas boa de doer, de que vamos começar tudo de novo.

Quando o primeiro dos blocos vai lá, sem nenhum sinal ou aviso, e coloca o seu estandarte, vem mais um, mais um… E, em alguns minutos quase não cabe mais. Mas sempre cabem todos. No primeiro andar, no segundo, nos braços de um heroico folião que subiu lá, junto com a estátua – que também porta um estandarte. É hora de cisco nos olhos, como os que caíram agora, nos meus, só de pensar que, pela primeira vez, o estandarte do bloco que sonhei um dia tornou-se um filho querido, que nasceu, fez seu primeiro cortejo e já chegou inundado de abraço, emoção, alegria. Tantas lembranças em dois meses, que parece que temos duas décadas.

Recolher o estandarte, ir embora com ele… Todos os anos, eu vi esse movimento e tinha a sensação de que o tempo e os movimentos eram diferentes, mais resistentes, como se o corpo e o espaço dissesse: “Não, por favor, não leve esse estandarte embora; vamos sair pelo mundo, fazendo da vida um Carnaval que nunca acaba”.

É isso. “Só” isso. Muito, muitos ciscos nos olhos, só de pensar em estar lá, amanhã, com esse pedaço de pano cheio de penduricalhos e histórias.

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Informação

Publicado em 17 17America/Sao_Paulo fevereiro 17America/Sao_Paulo 2018 por em Carnaval 2018, Sem categoria.
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