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Roberto de Freitas: contando histórias e encantando almas!

Ele é “mineirim, sô”. Ali, de Diogo de Vasconcelos, “pertim” de Mariana, “paredimeia” com Piranga, “se bobiá, trupicô em Guaraciaba. Desses recantos deliciosos das Minas Gerais, do Brasil e de suas andanças pelo mundo, surgem as histórias do contador Roberto de Freitas, que tem encantado adultos, crianças e jovens, por todos os lugares onde é chamado pra desembarcar com seu repertório. Matas, bichos, assombrações, paisagens de rios e montanhas, resgates da tradição oral, que se preserva, através das gerações.

O blog detudovairolar.com entrevistou o contador de histórias Roberto de Freitas. Leia, dê muitos “likes”, compartilhe com seus amigos. Entrando por uma porta, saindo por outra, senta, que lá vem o Roberto!

(Fotos: Thelmo Lins)

Como e quando “era uma vez” te arrepiou e tudo começou?

Não consigo precisar isso, foi num “acontecendo”. Eu já o fazia, mesmo sem saber que o fazia  tinha um nome, que era uma profissão possível. Certa vez, fui a uma noite de contos, sem saber muito o que era e ouvi uma contadora de histórias, muito parecida com as que eu tinha ouvido quando criança. Foi como se eu estivesse novamente no conforto do colo da minha mãe, saboreando o novo mundo. Mas, antes disso, já tinha contado muitas histórias, quando fui professor e queria dar àquelas crianças algo que eu tinha tido na minha infância e que eu guardava com muito cuidado: o encanto de todas as histórias que escutei. Porque na minha infância na roça, sem energia elétrica, elas faziam parte da nossa rotina, do antes do dormir. Toda a criançada junta, olhos arregalados pelas sombras tremelicantes que as lamparinas reproduziam nas paredes, ilustrando as vozes que nos conduziam pelo fantástico mundo da imaginação. E, então, fui descobrindo, aos poucos, esta possibilidade. Fui largando das outras coisas, pra me dedicar exclusivamente a esta arte.

Nossos avós contavam histórias. As gerações que passaram por isso eram mais “conectadas aos seus”. Você acredita que esta relação contar histórias + contato familiar é mesmo real?

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“Contar histórias cria laços afetivos eternos, abre canais de comunicação que jamais se romperão.”

Real e verdadeira, contar histórias cria laços afetivos eternos, abre canais de comunicação que jamais se romperão. E não sei  precisar o porquê, só sei que é assim. Talvez porque, ao contar-me, você me alertou de algo, protegeu-me e “heroificou-se”. Segredamos e, então, nos pertenceremos para todo o sempre. Será que foi a narrativa que nos uniu, ou a lembrança daquelas noites que vivemos que nos fará mais pais e filhos? Hoje, já me acontece de esbarrar com adultos que me escutaram crianças, e é sempre muito emocionante. Sinto: são encontros de gratidão. Passamos, mesmo sem estes laços sanguíneos, sermos da mesma família, pela afetividade. Filhos de amigos meus, assim sendo, viraram filhos meus também, simplesmente por esta disposição que tive lá de contar histórias pra eles, quando eram crianças.

Os grandes centros urbanos e a modernidade modificaram, em que medida, o “jeito” de contar histórias? Você se apropriou, de alguma forma, das modernidades do mundo?

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“O que ganha o suspiro das plateias é a pausa bem dada, é a entonação adequada, o gesto harmonioso com o que se diz…”

Modificaram não, porque contar história ainda é do mesmo jeito, desde que mundo é mundo, é alguém contando para um outro que está escutando e assim será para todo o sempre. A modernidade trouxe outros recursos, ampliou possibilidades. Tirou aquele narrador da beira do fogão a lenha, da beiradinha da cama, do pé do ouvido e o jogou num palco, com microfone de lapela, contando pra centena ou até milhares de espectadores ouvintes. Multiplicou-nos em recursos multi-midiáticos e eternizou nossas vozes. Apesar de nos dar a possibilidade de colorir aquela sombra tremelicante (já o fiz com projeções em leves panos que se balançavam ao gosto de ventiladores atrás de mim), a receita ainda é a simplicidade. O que ganha o suspiro das plateias é a pausa bem dada, é a entonação adequada, o gesto harmonioso com o que se diz. Então o meu “jeito” ainda é o mesmo.


Na última década, a contação de histórias intensificou-se, não apenas como uma “atração infantil”, mas como um ramo da arte apreciado pelos mais diversos segmentos. A que você atribui este fenômeno?

Acho que está sendo uma carência de contato com o simples que promoveu este retorno dos contadores. Uma necessidade de reaproximação com as nossas raízes, um reencontro com os nossos pra entendermos melhor de onde viemos, pra não sairmos mais por ai sem rumos. Existem, também, alguns estudiosos que dizem que todas as vezes que a humanidade passou por algum tipo de transformação, lá estiveram os contadores de histórias, ora atuando na preparação, ora semeando sentimentos de esperança de que os nossos finais serão sempre felizes, havendo o que houver.

A contação de histórias exige um constante trabalho de pesquisa? Como você faz para a diversificação de repertório e montagem de novos espetáculos?

Tenho ouvidos perdigueiros treinadíssimos, farejam boas histórias de longe. Engraçado, mas é isso mesmo, treinei essa minha escuta desde criança. E, a todo momento, em circunstâncias diversas, podem surgir preciosidades. Assim, tanto num velório, madrugada adentro, pra passar o tempo, já ouvi pérolas, como num asilo, remexendo memórias alheias. Num final de alguma apresentação, com a ligeira introdução de “você já ouviu aquela do…?”. Ou, até mesmo numa mesa de bar, quando descobrem que sou um contador de histórias, as pessoas vêm me confiar seus baús de memórias. Destes lugares todos vem o colorido do meu repertório, especialmente de histórias de tradição oral.

No espetáculo “Bichos de Todo Jeito”, você divide o palco com Rita Cândido. Conte mais sobre essa dobradinha.

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“A parceria com Rita Cândido é desde muito, pela vida afora.”     Alguém tem dúvida desta energia?

“Dobradona”, porque já dobrei muitas esquinas da vida com essa dona. Nossa parceria é desde muito, pela vida afora. Temos varias criações juntos, espetáculos, muitas músicas, viagens, apresentações diversas, vários projetos engavetados, aprovados por leis, gravações de programas, risos, lágrimas, descobertas, perdas e muita admiração. O “Bichos” é um retratinho lambe-lambe disso tudo. Temos muito carinho por ele, por ser infantil, pelas crianças gostarem, por ser animado, colorido, bastante musical . A música de abertura, de mesmo nome, fala de muitos bichos, bichos que habitavam antigamente a imaginação das nossas crianças, como “Bicho do Mato, Bicho Udo e Bicho Inho, Bicho de Pé, Cansado Bicho Deitado, Bicho Papão, Bicho Chato, Bicho de Feijão, Bicho Papo-Figo, Bichinho, Bichão…” Pra saber dos muitos outros bichos, nos deem a alegria de aparecerem em nosso show…

(Para saber de apresentações do Roberto de Freitas, o point é aqui, no blog. Para contato com o artista: no site www.robertodefreitas.com.br, pelo telefone (031)99950-7971 e pelo email  eraumavez@robertodefreitas.com.br )

 

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2 comentários em “Roberto de Freitas: contando histórias e encantando almas!

  1. Rafaelle
    10 10America/Sao_Paulo agosto 10America/Sao_Paulo 2016

    Vc encanta com suas histórias surpreendentes …

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  2. Rafaelle
    10 10America/Sao_Paulo agosto 10America/Sao_Paulo 2016

    Roberto Freitas sempre encantando. ..te adoroooo…

    Curtir

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Publicado às 22 22America/Sao_Paulo dezembro 22America/Sao_Paulo 2016 por em Pessoas e marcado , .
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